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segunda-feira, 20 de julho de 2020

Minha música, meus versos

Torcendo o tempo, volto lá pra 2019 e apresento uma experiência linda, que vivi com o público adolescente, na Atenção Básica.

Recebi um pedido de uma Unidade de Saúde da Família (USF) para fazer uma intervenção em um grupo de adolescentes mantido pela unidade, com encontros mensais. O evento seria em setembro, o mês de prevenção ao suicídio, também conhecido como Setembro Amarelo [1].

Naquele momento, estava bem recente pra mim o trabalho com os móbiles de letras de música, que podem ser vistos aqui https://caleidoscopioativar.blogspot.com/2019/12/o-que-sobrou-do-ceu.html e aqui https://caleidoscopioativar.blogspot.com/2019/10/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html

Então resolvi adaptar essa ideia para pensar em uma oficina voltada para o público adolescente. Preferi fazer uma atividade mais lúdica, de uma certa leveza, para abordar sentimentos, ideias e o que mais surgisse no encontro, em formato de oficina.

Música. Móbile.

Sons. Versos.

Como tocar os adolescentes com essa atividade?

Brincar com músicas!

O percurso foi mais ou menos assim...

Matutei um tanto.

Pensei em selecionar músicas com letras expressivas, afetivas, provocativas. Brincar com os versos, escolher alguns para imprimir. Colar esses versos-papeis em cartolina, em diferentes formas geométricas, para a montagem de móbiles.

Os adolescentes “escreveriam sua própria música”, juntando os versos do modo que quisessem. Colando e enfeitando o móbile como desejassem.

Expus a ideia na reunião de equipe da USF para abrir para reflexão e sugestões. Neste momento, resolvemos que a equipe selecionaria as músicas e os trechos para a oficina. Também se definiu o nome da oficina, “Compondo minha música”.

No dia marcado, preparamos a sala, pensando em criar um ambiente o mais acolhedor possível.

Na porta, já havia uma pista do que se tratava o encontro...


Juntamos todos os materiais e enfeites que conseguimos: fitas, laços, flores, canetas hidrográficas, tesouras, colas, tintas, pinceis, figuras em E.V.A. Foi um esforço coletivo aqui, com muitas colaborações generosas 🙏. Todo o material ficou esparramado na mesa, de modo convidativo para exploração.


Armamos um varal com as letras completas de cada música, para que os adolescentes pudessem ler e se familiarizar, caso não conhecessem.



Ao fundo, as músicas selecionadas tocaram o tempo todo... 🎶🎵🎶🎵

A composição dos móbiles ficou por conta de cada adolescente, que foi compondo sua própria música.


O diálogo do encontro se deu a partir do pedido para que aqueles que se sentissem confortáveis lessem os seus versos prediletos. A partir dos trechos das músicas, discutimos sentimentos, ideias, medos, possibilidades, sonhos e tudo mais o que cabe num encontro com adolescentes...

Ao final, cada um levou seu móbile.


[1] https://www.setembroamarelo.org.br/

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

O que sobrou do céu

O que sobrou do céu é uma composição d´O Rappa, que aparece no álbum Lado B Lado A, lançado em 1999.

Segue a letra:
 
O, la lá, o la lá, ê ah
O, la lá, o la lá, ê ê


O, la lá, o la lá, ê ê ah
O, la lá, o la lá, ê ê


Faltou luz mas era dia, o sol invadiu a sala
Fez da TV um espelho refletindo o que a gente esquecia


Faltou luz mas era dia... di-ia
Faltou luz mas era dia, dia, dia


O som das crianças brincando nas ruas
Como se fosse um quintal
A cerveja gelada na esquina
Como se espantasse o mal


O chá pra curar esta azia
Um bom chá pra curar esta azia
Todas as ciências de baixa tecnologia
Todas as cores escondidas nas nuvens da rotina


Pra gente ver... por entre prédios e nós...
Pra gente ver... o que sobrou do céu... o la lá


A letra da música remete à passagem do tempo, dentro e fora de nós mesmos.
Tem algo de cotidiano e ordinário nos versos, algo que nos é próximo.

O clip oficial traz um vídeo bem intenso, que pode disparar boas reflexões.

Para dar vida a esta música, decidi por um móbile, todo na cor azul.
Mais de uma pessoa já me disse que o formato lembrou uma pipa. Não foi intencional, mas caiu bem...


 
Não lembra da música? Assista ao clip oficial aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=kab3hBdmVoo


quinta-feira, 24 de outubro de 2019

O Quereres em movimento

A pista de hoje será musical e explica melhor o título de minha dissertação.
Letras de música podem gerar pistas instigantes.

Começo apresentando "O Quereres", de Caetano Veloso (álbum Velô, de 1984), por ser a canção que inspirou o título de minha dissertação de Mestrado. Caso não conheça, segue aqui uma das muitas versões da música, https://www.youtube.com/watch?v=BJAkeUvCL1s

 Leia a letra aqui, se for daqueles que gosta de cantar junto (sem fazer feio!): https://www.letras.mus.br/caetano-veloso/44758/

 A letra da canção traz versos lindamente construídos, com o uso de metáforas (que ciram múltiplos sentidos) e antíteses (figuras de linguagem que expressam a oposição entre ideias).
Há muitos versos que, mesmo isolados, tem potencial para disparar boas discussões.

Gosto especialmente deste: "E onde não queres nada, nada falta"...

Para "dar vida" a essa canção, escolhi o formato de móbile, pela beleza e movimento presente no objeto.
Seguem fotos de como ficou minha ideia para esta música.







Na parte da frente, eu utilizei papel cartão (de fundo) com os versos impressos em papel vergê. No verso, finalizei com tecido adesivo. A ligação das partes é de fita de cetim.

Cai o muro do cemitério

Ou Crônica de uma segunda-feira chuvosa   Segunda-feira cinzenta e chuvosa. Umidade. Fazia um pouco de frio. No WhatsApp, estava l...