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sábado, 28 de dezembro de 2019

Eu me desenho!

Nas minhas andanças e explorações, passando pela PUC (campus Monte Alegre), me deparei com esse impressionante grafite:

 

Essa obra é arte da artista plástica / muralista Simone Sapienza Siss ou apenas Simone Siss (@simonesiss), que gentilmente me permitiu utilizar essa imagem. 💗
Vale a pena conhecer outras obras dela no Instagram e em sua página oficial, que você encontra clicando aqui: https://www.siss1.com.br/

A obra tem nome - "A Medusa Urbana".

Essa pista é para "encher os olhos" mesmo.

O poder da figura feminina retratada talvez seja a parte mais óbvia, magnética e apelativa aos nossos olhos...  

Entretanto, a frase "Não me apaga que eu me desenho!" produz um impacto muito forte e com ótimo potencial para disparar reflexões e discussões muito ricas.


Experimentem circular ou expor a foto, simplesmente acompanhando as associações livres que forem emergindo. 

Na minha experiência, a exposição desta imagem em momentos de Educação Permanente em Saúde (EPS) tem se mostrado um ótimo ativador de discussões.




 

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

O que sobrou do céu

O que sobrou do céu é uma composição d´O Rappa, que aparece no álbum Lado B Lado A, lançado em 1999.

Segue a letra:
 
O, la lá, o la lá, ê ah
O, la lá, o la lá, ê ê


O, la lá, o la lá, ê ê ah
O, la lá, o la lá, ê ê


Faltou luz mas era dia, o sol invadiu a sala
Fez da TV um espelho refletindo o que a gente esquecia


Faltou luz mas era dia... di-ia
Faltou luz mas era dia, dia, dia


O som das crianças brincando nas ruas
Como se fosse um quintal
A cerveja gelada na esquina
Como se espantasse o mal


O chá pra curar esta azia
Um bom chá pra curar esta azia
Todas as ciências de baixa tecnologia
Todas as cores escondidas nas nuvens da rotina


Pra gente ver... por entre prédios e nós...
Pra gente ver... o que sobrou do céu... o la lá


A letra da música remete à passagem do tempo, dentro e fora de nós mesmos.
Tem algo de cotidiano e ordinário nos versos, algo que nos é próximo.

O clip oficial traz um vídeo bem intenso, que pode disparar boas reflexões.

Para dar vida a esta música, decidi por um móbile, todo na cor azul.
Mais de uma pessoa já me disse que o formato lembrou uma pipa. Não foi intencional, mas caiu bem...


 
Não lembra da música? Assista ao clip oficial aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=kab3hBdmVoo


quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Nossas muitas Marias...

Ah, Vida de Marias...

...
Maria José
Maria de Lourdes
Maria Conceição
Maria Carolina
Maria Antônia
Maria Aparecida
Maria das Graças
Maria Luiza
Maria Joana
Maria Eduarda
...

Neste caso, Vida Maria se trata de uma animação em 3D, lançada em 2006, (super) premiada aqui e no exterior, que merece toda atenção. Para mais informações sobre a ficha técnica, consulte esse site aqui: http://portacurtas.org.br/filme/?name=vida_maria


Em apenas 9 minutos, o criador, diretor, roteirista Márcio Ramos, consegue nos envolver delicada e totalmente no mundo de Maria(s). E todos (ou todas?) conhecemos e temos um pouco de Maria na vida...

A história se passa no sertão nordestino, em torno de personagens femininos e marcantes, que vão da infância à velhice. Na verdade, podemos vislumbrar múltiplas histórias em uma única história. 

Impossível não relacionar o enredo a (múltiplas) vidas reais, que, mesmo não sendo a sua, certamente parece com a de alguém que você conhece.

Não pretendo contar muito da obra, pois aposto mais no impacto de assisti-la. 


O filme possui um canal oficial no YouTube, podendo ser assistido aqui: https://www.youtube.com/watch?v=yFpoG_htum4

Assista ao vídeo e pense em quantas Marias você consegue lembrar...

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Poema... Poeme-se!

Poemas rendem excelentes pistas. 

O poema que escolhi para este post se chama "Não há vagas", de Ferreira Gullar.

  
Não há vagas

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

- porque o poema, senhores,
   está fechado:
   "não há vagas"

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

    O poema, senhores,
não fede
nem cheira
Ferreira Gullar, in 'Antologia Poética'


Gosto deste poema porque é relativamente curto e se utiliza de linguagem simples. 
Escrito em 1963, soa bastante (e desconcertantemente) atual, podendo disparar muitas reflexões a cada verso.

Para conferir vida a esses versos, escolhi um formato simples, 'duro' e direto.
Pode ser compartilhado numa roda de conversa, por exemplo, para leitura.







Sobre o autor: Ferreira Gullar era o pseudônimo escolhido pelo escritor e poeta (e muito mais) José Ribamar Ferreira, nascido na cidade de São Luís, em 1930 e falecido no Rio de Janeiro em 2016. Ele organizou e liderou o movimento Neoconcreto de poesia, na década de 1950.


A poesia
Quando chega
Não respeita nada.

(trecho de Subversiva, de Ferreira Gullar)

Cai o muro do cemitério

Ou Crônica de uma segunda-feira chuvosa   Segunda-feira cinzenta e chuvosa. Umidade. Fazia um pouco de frio. No WhatsApp, estava l...