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quarta-feira, 10 de maio de 2023

Mês da Mulher: histórias que inspiram

Não tem jeito, mês de março, todo ano, pede ações / intervenções / invenções centradas nas mulheres.

E a escolha deste ano foi por valorizar a história das nossas mulheres, as trabalhadoras da unidade e as usuárias atendidas.

Pedimos que as mulheres compartilhassem pequenos trechos de sua vida, o que desejassem. Ou também que escrevessem um pouco sobre curiosidades que gostariam que as outras soubessem sobre si. Não havia necessidade de se identificar. 

Da ideia singela de utilizar papeis coloridos e/ou enfeitados, desembocamos na caprichosa sugestão de "papel de carta", proposta por uma das integrantes que efetiva o grupo.

As narrativas foram sendo escritas, coletadas e expostas em mural / varal. No dia do encontro, lemos cada contribuição e dialogamos sobre as pequenas e grandes revelações ali registradas.

 

 

Cada história individual se tornava coletiva ao ser lida, pois os pontos de identificação eram muitos. 

Circular a palavra entre mulheres também tem uma beleza muito particular, ainda mais no contexto da saúde, da saúde pública em especial.

 

sábado, 26 de novembro de 2022

Uma experiência entre mulheres...

 

MARIAS.

Vale conferir este POST AQUI...

 




 

Uma roda entre mulheres e para mulheres, que seria sobre violência doméstica, inicialmente.

Mas se tornou um momento de compartilhamento entre mulheres diversas, umas dividindo, outras apenas ouvindo.

Circulação da palavra.

Mediação se mostrou uma palavra-chave aqui. Temperar as participações de todas.

Mulheres sentadas no chão, em pufes ou em tapetes de EVA. Pernas cruzadas ou esticadas. Mulheres juntas no chão.

Muitos relatos e muitas intersecções. Estranhamentos e identificações. Distanciamentos e aproximações.

Relatos que revelam intimidades. Pequenas (?) e casuais violências diárias, escondidas sob fachadas de relacionamentos saudáveis e normatizados. Famílias constituídas e assentadas no casamento de arranjo tradicional. Publicização, via mídias sociais, de felicidades quase inexistentes, talvez inventadas ou esperançadas.

Relatos de mulheres fortes. Radicalizando o discurso e o percurso.

O esforço da mulher de se realizar sem depender de uma figura masculina.

Exemplos.

Um pequeno rosto acompanha o momento todo. Como será que ela absorve todo este diálogo? Estará ela mais protegida e fortalecida em seu futuro?

Essa é uma discussão provocada pelo grupo. O que fazemos pelas crianças de hoje, diante de toda a problematização exposta neste momento? Seremos capazes de alterar esse futuro?

É lembrado que geramos / criamos / educamos / amamos meninas e meninos (se nos ativermos ao cenário binário vigente). Então, as mulheres ali reunidas conseguem vislumbrar, ainda que fugazmente, uma esperança para um futuro diferente, talvez.

Do alto do chão.

 

*****

 

Para abordar o Ciclo de Violência , utilizamos esse vídeo curto, de pouco mais de 3 minutos, e bastante didático.

 

terça-feira, 5 de abril de 2022

Fala, mulher - Dia Internacional das Mulheres

Essa data anual [1] sempre suscita demanda por ações específicas junto à população. 

Infelizmente, na Saúde, ainda nos prendemos em abordar doenças ou problemas mais comuns que acometem as meninas e mulheres adultas ou idosas.

Neste ano, a encomenda foi por uma ação junto às mulheres que estariam em uma das Unidades de Saúde da Família em que presto apoio, em uma sexta-feira. Seria um dia dedicado a atividades voltadas para este público, individuais e coletivas.

Pensei em uma roda de conversa, sempre como alternativa para fugir das tais "palestras", sobre as quais tenho minhas reservas.

Para batizar a atividade, "Fala, mulher - diálogos entre mulheres do Valongo" foi o que me veio à mente, após um período de matutação (feito de matutar) [2]. A ideia era colocar as usuárias na centralidade da ação, já que é comum que a profissional de saúde "detenha" a palavra.

De início, pensei em sondar as mulheres que estariam circulando na unidade nos dias que antecederam a atividade sobre o quê elas gostariam de falar.

Contando com o apoio da equipe, um quadro foi montado por uma Agente Comunitária de Saúde na entrada da unidade, para que elas escrevessem suas sugestões.


A equipe da unidade se empenhou na divulgação das atividades do dia, via redes sociais e aplicativos de mensagens.



Pouco antes, fui coletar as sugestões colocadas no quadro. E, mais uma vez, o tema da violência doméstica foi o mais mencionado. Deste modo, organizei a ação nesta temática.

Chegou o dia...

Preparamos a sala com antecedência. Pensando que as poesias de Ryane Leão [3] seriam bons disparadores para esse encontro. Lendo o livro "Tudo nela brilha e queima" [4], selecionei poesias que poderiam remeter a situações de violência doméstica e/ou relações abusivas.



 

Tudo pronto! E a roda de conversa com as usuárias não decolou.

Após participarem de uma atividade longa, as usuárias dispersaram. Algumas precisavam ir embora mesmo, por conta de afazeres domésticos ou rotina de trabalho. Outras tinham também consultas individuais agendadas na unidade.

Não foi exatamente uma surpresa. E já havia me preparado para esse plot twist imprevisto. 😲

Havia separado vídeos para aquecer o diálogo. Alguns deles, pensando na população que atendemos naquele território. Outros, na equipe que ali trabalha.

E daí alterei o script minutos antes da ação. E se formou uma roda de conversa com trabalhadoras e trabalhadores, no tema da violência doméstica, mas em outra perspectiva.

Reuniram-se cerca de 14 pessoas na sala, de diferentes profissões. Contudo, vale destacar que a maioria eram Agentes Comunitários de Saúde.

O encontro começou pela exibição do vídeo A mudança do lugar da mulher na sociedade [5], com a Professora Belinda Mandelbaum [6], da Casa do Saber. O vídeo é curto (8 minutos), leve, com linguagem acessível e se mostrou um ótimo disparador para a conversa.

Nem passei o vídeo até o final porque ele abre muitas possibilidades / ideias. Em resumo, 1 hora de atividade foi pouco para o diálogo. O tema se desdobrou em muitas discussões sobre violência, emancipação, gênero, cultura e muito mais.

 

******

[1] leia mais sobre a data aqui

[2] do verbo matutar - veja no dicionário

[3] para (começar a) conhecer um pouco de Ryane Leão 

[4] para comprar o livro (uma sugestão) 

[5] assista A mudança do lugar da mulher na sociedade

[6] saiba mais sobre a Professora Belinda Mandelbaum

 

 



quarta-feira, 24 de junho de 2020

Do soutien à máscara





Essa foto foi tirada em meu trajeto casa-trabalho-trabalho-casa.

Os objetos estavam exatamente assim.

Olhei, mirei e passei reto. 
Mas inquietei-me! Por que tinham que estar ali? Lado a lado... Como se colocados?

Decidi tirar uma foto. Demorei a conseguir um bom ângulo, pois o sol ardia forte demais.

E nessa de procurar um ângulo, minha imaginação se ativava cada vez mais. 

Claro que pensei no problema do lixo espalhado na calçada. O desperdício, o desrespeito, a poluição, a contaminação... Mas foi impossível não pensar numa mulher, que talvez tivesse tirado e atirado o soutien. Liberta do soutien, com os seios soltos, saltitantes, andando por aí. 

Transgredindo. (1)

Por que ela tirou a máscara ou o soutien? 

O que ela tirou primeiro?


Quem é essa mulher, meudeus? Cadê ela?

Ela estava saindo de casa ou retornando para casa quando se livrou das peças?


Inspirada nas provocações contidas no texto (2) de Bruno Latour (3), essa imagem me remeteu a duas interrogações...

 

✔ O que deixamos de fazer na pandemia que não nos faz a menor falta?


✔ O que a pandemia nos impôs que não desejamos mais em nossas vidas?


Essa mulher imaginária, ainda em meio à pandemia, já decidiu o que deixar para trás!


Do soutien à máscara, estamos querendo nos livrar do quê?





Cai o muro do cemitério

Ou Crônica de uma segunda-feira chuvosa   Segunda-feira cinzenta e chuvosa. Umidade. Fazia um pouco de frio. No WhatsApp, estava l...